El-Ritepramim


Mesma Merda

Em uma manhã morna
minha branda amante
com medo da bronca
da mãe
me abandonou.

Me melancolizei.
e num momento mórbido
pulei da ponte
morri.



Escrito por ellen-fante às 09h51
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06:45-07:10

Eu dou Bom-dia ao guardinha da rua onde moro enquanto guardo a chave na bolsa. Olho para os dois lados e atravesso a rua. Agora eu já não a chamo mais para atravessar também. Vejo a moça que usava o cabelo preso e desde o começo do inverno, passa por mim com os lindos cachos soltos. Ela olha para mim, mas não me cumprimenta nunca. Prendo a respiração quando passo pelo carrinheiro que dorme todos os dias embaixo de um puxadinho do prédio Jardim das Universidades. Passo sem olhar para o lado pela construção do prédio vizinho, onde sempre ouço um Bom-dia, princesa, mas não respondo. Passo por dois meninos que parecem caminhar para a escola. Um deles está sempre com um boné cor-de-creme de lado. Atravesso a avenida, mas essa nem presto muita atenção. Passo pelos táxis estacionados, pela banca de jornal e subo a primeira ladeira. Muito lixo no chão, o poste com marcas de sangue (eu vi a cabeça de onde esse sangue saiu: um rapaz apanhando enquanto assaltado semana passada, não pude fazer nada para ajudar), a laranja que secou e sobrou uma coisa parecida com uma bolinha de ping-pong encardida e quebrada. Olho meu reflexo pelo vidro dos carros que dormem na rua, o japonês que mora na esquina e fuma um cigarro na calçada enquanto seu Passat esquenta. Cumprimento agora os guardinhas que conversam no portão da Cidade Universitária, tem um que me chama de Meu amor, o outro canta sertanejo, e subo a segunda ladeira, prestando atenção no mato que cresce rapidamente dos dois lados da estradinha. Já vi lagarto, coruja, rato e esta semana, vi uma cotia passeando por ali. Até sonhei com ela (mas no meu sonho eram tantas!). Essa ladeira é bem maior e íngrime, nessa parte sempre tiro o casaco, mesmo na friaca, eu passo um calorão quando ando e só volto a colocar o casaco dentro do ônibus quando meu corpo já esfriou. Terminada a ladeira, cumprimento outro guardinha, com o mesmo sorriso-máscara que não escondo (mesmo esse sorriso falso as pessoas dizem que é bonito). No livro do Gulliver tem uma parte que diz que todos nasceram para serem simpáticos. Daí continuando, desço a estradinha, tento manter o mesmo ritmo, mas minha vontade é correr na descida e já embalar com a rua onde logo mais eu paro no ponto-de-ônibus. Nessa rua sempre fico olhando para trás pra ver se o ônibus não está vindo, porque odeio perdê-lo quando já estou tão perto. Passo por uma árvore que está cheia de côcos vazios, porque à tarde um moço de kombi vende água-de-côco ali e no fim do expediente, larga os côcos pendurados na árvore ou pelo chão mesmo. No ponto-de-ônibus sempre tem muita gente de manhã, todos querem o Circular, que, normalmente, já vem lotado de outros estudantes e funcionários. Eu, normalmente, espero uns cinco minutos enquanto o ponto vai enchendo mais ainda e assim que o ônibus aponta no fim da curva, todo mundo se dirige para a beirinha-da-rua bem às pressas, para entrar primeiro e conseguir as últimas poltronas.



Escrito por ellen-fante às 10h22
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Livros Extraviados - Parte 2

Risíveis Amores

Flávio não gozava com as mulheres porque tinha medo de engravidá-las.
“Não é a altura que me preocupa, mas o impacto da queda”.
Elas então entendiam que ele era um cara sensível e merecedor de seus corações.

A rosa do povo

Entrou na faculdade de Ciências Políticas.
Acreditava que poderia renunciar sua vida privada para dedicar-se à defesa pública dos aterrorizados.
Queria abolir a teoria de que era impossível encontrar o ideal.

Em busca do tempo perdido

No segundo ano, resolveu assumir sua homossexualidade.
Entrou no Centro Acadêmico e saiu de casa.
Bebeu namorados até o fim da graduação sem moderação ou canudinho.
 
Pergunte ao Pó
 
Passou a escrever para o jornal da faculdade.
Como não era de vidro, achou seu jeito de expôr seus pensamentos.
Muitos vezes, ficou estilhaçado no chão, mas seus amigos o tratavam de recompô-lo.

Mar Morto

Quando sua mãe faleceu passou dias de luto eterno.
Caso houvesse um concurso de cabisbaixos, seria indubilmente vencedor.
No entanto, não chorou. Trauma do pai, talvez. "Homem não chora, rapaz!"



Escrito por ellen-fante às 16h08
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Vou-me embora para Guanxuma.

Vou-me embora para Guanxuma
Desta cidade, eu já cansei.
Não durmo mais com quem quero
Lá... eu ainda não sei.

Vou-me embora para Guanxuma
Uma terra onde o que planta, dá
Não que eu seja lavradora
Mas se eu quiser, posso virar.

Vou-me embora para Guanxuma
Andar na praia de Guaratatá
Sem ter medo de pegar doença
Que as ervas de lá não possam curar.

Vou-me embora para Guanxuma
Melhor lugar para eu descansar
Cama macia em Pasárgada
Já estou farto de disputar.

Vou-me embora para Guanxuma
Não sentirei falta deste lugar
Talvez de você, Bandeira, querido
Mas, por favor, queira me visitar.

Vou-me embora para Guanxuma
Lá não sou amiga do rei
Tudo bem, serei vizinha do Caio,
Além do mais, lá nem tem rei.



Escrito por ellen-fante às 15h18
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