El-Ritepramim


Descrença vantajosa
 
Se eu for para o céu, que ele seja verde, porque azul me dá sono e eu quero ficar bem acordada para assistir os anjinhos peladinhos tocando harpa.
Se eu for para o céu, que eu possa comer tudo o que eu deixei de comer na Terra para ficar com um corpo magro, já que por aqui, gente gorda não consegue emprego, mesmo se for competente.
Se eu for para o céu, que eu possa ler todos os livros e ver todos os filmes que eu deixei de ler e ver, porque tive que passar a vida inteira trabalhando para pagar as contas e não deu tempo.
Se eu for para o céu, que eu fique amiga de São Pedro, para lembrá-lo de deixar os dias ensolarados para os fins de semana e férias e não para as quartas-feiras cheias de serviço.
Se eu for para o céu, que eu saiba voar, porque na Terra sempre tive vontade de escalar montanhas e apreciar belas vistas, mas meu medo de altura não me deixou.
Se eu for para o céu, que eu baile loucamente sem ficar suada, porque adoro dançar o tempo todo, mas penso que meu parceiro de pista não deve gostar do meu cheiro depois de algumas valsas.
Se eu for para o céu, que eu seja igual a todo mundo, nem feia, nem pobre; porque mesmo sem gostar de padrões e amar a diversidade, gostaria de morar num ambiente sem diferença e preconceito.
Se eu for para o céu, que eu possa viver sem escovar os dentes e não ter cáries, porque sempre achei um desperdício de vida escová-los, mesmo sabendo que é necessário.
Se eu for para o céu, que eu não precise fingir um orgasmo, porque se lá é o Paraíso que todos dizem, eu terei horas de prazer incalculáveis.
 
Agora, se eu for para o inferno, ah... eu não vou para o inferno. Não acredito nessas coisas.



Escrito por ellen-fante às 16h50
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O garoto do outro lado da rua balbuceia alguma coisa pra mim enquanto espero alguém do outro lado da linha atender o telefone. Eu não entendo. Faz gestos de libras. Eu não aprendi direito. Fala baixinho mexendo os lábios devagar para ver se eu decifro. Nada. Faz cara de cansado de tentar se comunicar. Olha no relógio, me manda um beijo e vai embora. Quem disse que sei sempre o que é melhor pra mim?

Escrito por ellen-fante às 19h42
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Um brinde

Aos fins de rolês intermináveis. À frigideira com tampa.
À cantora talentosa e tatuada. Aos sambas.
À vitória de goleada. À segunda divisão.
Aos sites de downloads inesgotáveis. À inspiração.

Aos celulares pós-pagos. À família que te adora.
Aos dicionários. À melhor hora.
À missão dos revolucionários. Aos abraços dados sem esforço.
Aos casacos doados. Aos beijos todos.

Aos almoços na bandeja. Aos encontros inesperados.
À timidez esquecida. Aos amigos encalhados.
À melhor idade da vida. Aos presentes.
À primeira cerveja. Aos ausentes.

À coluna sem dor. Ao sexo selvagem.
Ao salário na conta. À incrível viagem.
À tecnologia de ponta. À lembrança do carnaval.
À promessa de amor. À pílula anticoncepcional.



Escrito por ellen-fante às 10h24
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Mulher, Arte e cultura, Música, Literatura

Histórico
Outros sites
  Ana Rüsche
  AV Pietroforte
  Black Bird
  Boaz Novas
  Bressane
  Bortolotto
  Carol Bensimon
  Clarah Averbuck
  Del fuego
  Dragão na Janela
  Dupla personalidade
  Edu Tatu
  Flávia Santos 1
  Flávia Santos 2
  Hay Tomates
  Índigo
  Ivana Arruda Leite
  Joca Terron 1
  Joca Terron 2
  Lili Prata
  Marcelino Freire
  Mesas e Cadeiras
  Santiago Nazarian
  Virna Teixeira
  Xico Sá
Votação
  Dê uma nota para meu blog



O que é isto?