El-Ritepramim


Perdoem-me (a)sinceridade

Praticaria aborto. Não vingaria uma traição.
Seria mãe. Não seria juíza.
            Lutaria em uma guerra. Não filmaria uma transa.
                                    Revelaria um segredo. Não seria cega.
Faria eutanásia. Não perderia a fé.
                   Casaria na igreja. Não me converteria.
 Permaneceria em coma. Não me arrependeria.
                              Moraria em um convento. Não jejuaria.
Doaria meus órgãos. Não posaria na Playboy.
                   Trabalharia de graça. Não mataria meus pais.
  Largaria a faculdade. Não voltaria.
         Fugiria para longe. Não beijaria uma mulher.
                     Seria homem. Não voltaria a ser criança.
Usaria drogas. Não cometeria adultério.
Morreria de câncer. Não teria aids.
                        Contaria mentiras. Não falaria a verdade.
                 Cuspiria no prato que comi.
                                                                 Não terminaria uma história.



Escrito por ellen-fante às 18h35
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 Queda que as mulheres têm para os tolos.

 

Poderia ser Machado de Assis, considerado um dos maiores gênios da Literatura Brasileira. Temos o mesmo segundo nome, nosso primeiro emprego foi no mesmo lugar, nascemos no mesmo mês, e de quebra, nosso primeiro livro foi de poesias. Indícios, coincidências ou provas poderiam me fazer pensar que morreria aos sessenta e nove anos e tornaria imortal na Academia Brasileira de Letras. No entanto, mesmo bêbado, incompreendido, sem dinheiro e esquecido, preferiria ser a encarnação de Oswald de Andrade. Questão de gosto, vai entender.



Escrito por ellen-fante às 14h56
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Ultimo cliente
 
'Quem está morto não tem tempo.' Ele disse. 'Frase do Alcorão e Allan Poe usa graciosamente em um conto.'
 
E eu me encuquei. Preciso viver a vida. Depois de morta, não poderei aproveitar. Vou, então, pular de para-quedas, vou faltar na faculdade e usar minhas manhãs para conhecer museus, vou assistir todas as sessões de cinema gratuitas da cidade, vou paquerar todos os meninos bonitos da faculdade sem aliança no dedo, vou esquiar em São Roque (que é barato), vou de carona para Argentina, vou sambar no Bairro da Bexiga e beber litros de cerveja de graça (tenho um amigo garçom), vou comer todo sorvete que puder sem medo de engordar, vou cozinhar para os meus amigos, vou...
'Já comeu peixe na folha de bananeira?' Ele perguntou, enquanto folheava um livro de receitas.
'Sim, uma delícia.' Menti.
Não sei porque sempre minto quando me perguntam se já comi alguma coisa diferente. Digo que sim e dependendo da cara da pessoa, digo se gostei ou não.
'Mas você nunca comeu o peixe que nós, mexicanos, fazemos na folha de bananeira, aposto.'
Soltei um risinho e resolvi responder a verdade dessa vez. 'Nunca comi.' Mais uma das coisas que vou fazer antes que eu morra. Vou comer peixe na folha de bananeira. Mas é melhor eu me apressar, vai que eu morro amanhã.
'Não se preocupe, você não vai morrer amanhã.' Sério, o mexicano, na minha frente, do outro lado do balcão, pareceu ter lido meu pensamento. Agradeceu e foi embora.
Realmente, é melhor não deixar os dias passarem.



Escrito por ellen-fante às 18h29
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