El-Ritepramim


pacto

mas vendo
minha alma ao diabo
se um dia me livrar
dessa angústia que é viver 
na intenção de amar.



Escrito por ellen-fante às 14h16
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Quando eu cuspo
o que sai de mim
é um pouco do inferno
que guardo na minha boca.
Por isso considero
meu beijo um objeto perigoso
e não saio por aí
desperdiçando fúria e amor que,
no fundo, é a mesma coisa.



Escrito por ellen-fante às 12h33
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Tenho meu filho nas mãos, Ávida Espingarda.
Outro filho, o quinto. Já nasceu corinthiano.
Atira, ataca, estilhaça.
Esse eu não vou abandonar.
Faz pirraça, dá sua graça, me abraça.
Só não conta piada, porque ainda não fala.
Espera só domingo para ver... vai ser massa:

Lançamento do livro Ávida Espingarda.
23/08, domingo agora, as 17h. Minha quinta antologia.
Na Livraria Ícone, na Rua Augusta, 1415.



Escrito por ellen-fante às 19h50
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palavras e silêncio

me perdi nas horas.
passeio em marcha lenta pelos dias que
começam e terminam cheio de histórias 

sem mea culpa.
eu escolhi o que participo
e continuo.

teu sofrimento 
grita comigo
me dilacera me
acaba. vai embora
 
minha pele seca meu corpo mecânico

conjuro

literatura
amo
para não esquecer do amor.



Escrito por ellen-fante às 01h14
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Espelho (white lies for dark times)

Quando eu me visto de cinza
não preciso me camuflar
sou feita de água e pedra.

eu me vendo
sou duplo, uma crise só, o
outro, você não entenderia.



Escrito por ellen-fante às 12h19
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tão perto...

queria ter olhado nos seus olhos
e que eles parecessem três.



Escrito por ellen-fante às 02h55
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fui para agradar:

ouvi tanta merda
que não aguentei e fui vomitar.
A boca é o aparelho excretor do cerébro.



Escrito por ellen-fante às 20h11
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Bridgestone Music Festival


Permaneço sentada para não perder o lugar
e meu coração dispara:
Jimmy Cobbs pára tudo e começa a tocar.

Os jazzistas se aprontam para improvisar
e meu coração pára:
Já não tenho mais parceiro para dançar.



Escrito por ellen-fante às 20h26
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conselho mútuo

Se quer me esquecer, então não me procure. Não me busque. Não vá atrás do meu nome. Do meu telefone. Não escute a musica que lembrará de mim. Não ouça mais sua banda favorita. Não leia o livro que lembrará de mim. Não leia autores vivos. Muito menos leia o que escrevo. Não veja o que viu comigo. Não torça em jogos de futebol. Não fale sobre mim. Não fale o que falou comigo. Não beije como me beijou. Não ame como me amou. Não sorria como sorria. Não cozinhe como cozinhava. Não dance como você dançava. Não chore como você chorava. Não faça carinho como só você fazia. Não assista filmes do Brad Pitt. Não coma mais salada de fruta. Não faça mais yoga. Não compre lençóis novos. Não entre mais na internet. Não ande mais sem destino. Não vá para Santos. Não atravesse a rua correndo. Não ande de mãos dadas. Não faça planos. Muito menos listas. Não corte as unhas. Não tire fotos. Não lave as costas de ninguém. Não durma ao lado de alguém. Não faça sexo. Não feche os olhos. Não olhe nos olhos. Não sinta, não respire. (As vezes é impossível não lembrar de você).



Escrito por ellen-fante às 03h20
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Começo (do fim) do meu filme

Eu escolho não escolher. Escolho a própria sorte, o acaso, o jogo de dados, o fecha o olho e se joga, o cai na pista, a tv zuada, a roupa doada, o vinho barato, a mala velha da vó, o vai que dá, o bico, o freela, a peça perdida, o aluguel rachado, o vou tentar, o parque de diversões as cinco da tarde, os amigos encontrados por aí, tomando leite, breja, escolho pão com mortadela, o ipod que encontrei no chão, o vou lá qualquer coisa volto, a pizza da noite passada, o não precisar fazer escolhas o tempo todo, o pode crer, o não colocar tudo numa balança, nem fazer listas de prós e contras, escolho o não futuro, o futuro é só depois de amanhã e o hoje não é feito de escolhas, é feito do vamos ver se dá, do qualquer jeito, da malemolência, da parceiragem, do hoje, do presente, as minhas escolhas eu não deixo você fazer, mas também não vou fazer, tá certo? eu escolho não escolher.



Escrito por ellen-fante às 19h14
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web cam only way

eu meço teu calor e tua vaidade
do outro lado da tela pixels.
e eu gozo sem esforço
dentro desse poço de efemeridade.

eu não posso com esse troço
que chamam de modernidade.
mas no fundo bem no fundo
quando não te tenho, tenho saudade.



Escrito por ellen-fante às 22h46
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testamento de hoje:

um fígado zuado.
uma tartaruga e uma coruja de pelúcia.
um hipopótamo e três macacos de enfeite.
um blog com poucos leitores.
um útero misterioso.
um coração destroçado e recomposto, no mínimo, cinco vezes.
dois mil numa poupança.
dois arrependimentos.
três camisinhas.
três colchões.
três viagens de avião.
quatro antologias publicadas e uma a caminho.
cinco quadros.
seis toalhas de banho.
sete eletrodomésticos.
sete pessoas que eu amo.
oito sonhos para realizar antes de morrer.
nove diários usados.
dez móveis.
treze livros para presentear.
dezoito pastas de xerox da faculdade.
trinta e seis camisetas de manga curta.
setenta e oito pastas de músicas em mp3.
cento e dezesseis filmes em dvd.
cento e oitenta e seis livros.
mil coisas na cabeça.



Escrito por ellen-fante às 22h15
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seria trágico se não fosse...

pensou que ia explodir de tanta angústia.
preparou a aparelhagem com tanta minúcia.
enquanto tocava a velha guitarra acústica
chorou, não explodiu.
e o público aplaudiu.



Escrito por ellen-fante às 14h10
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Carbono Puro

Quantas vezes fumei não querendo mais fumar, mas beleza, me dá um cigarro aí e tragava e ia até o posto de gasolina e comprava mais um maço e estragava os meus dentes e cheirava meus dedos, merda, por que eu ainda fumo? Mulher não fica bem fumando, já passou a época que era elegante acender um cigarro, eu nem tenho coragem de sair pedindo isqueiro, sempre perco meus fósforos, que diabos eu faço com meu pulmão. O primeiro trago na minha vida foi horrível, segurei forte a tosse para não fazer feio na frente dos amigos, e não tossi e depois morri sozinha jurando que nunca mais ia por aquele treco na boca e daí eu fiquei bêbada na semana seguinte e lá estava eu pedindo um cigarro, e tanto faz a marca, eu não gosto mesmo, mas tô com uma vontade enorme de fumar. E sei lá quanto tempo depois, resolvi pedir um cigarro porque estava mal, aquele idiota havia terminado comigo ou fui eu que terminei com ele, não lembro, mas eu estava triste, era sexta a noite e eu queria transar, fazer amor, não tinha com quem, vou beber e pedir um cigarro pra qualquer um que passar na minha frente. Pouco passou e eu mesma comprava cigarros sempre com a desculpa de ficar zonza e não pensar na realidade, e uma puta dor de cabeça acompanhava, pior que ressaca de cinquenta e um, e olha que dessas aí eu já estou craque, nas festas eu fumava pra acompanhar a cerveja, no fim da festa pra esquentar, no caminho de casa pra não ter que conversar, e tira toda a roupa na hora de trepar, já esqueci chave e carteira, mas você acredita que eu nunca esqueci o cigarro? Agora eu fumo pra caralho, o cúmulo foi fumar de manhã antes mesmo de ir no banheiro, de mijar, de escovar os dentes, tomar um copo d'água, foda-se não vou beijar ninguém hoje. Fumo pra ficar acordada, pra terminar o trabalho da faculdade, na hora de falar mal do chefe, no intervalo do sexo, da briga, da prova, que se dane o pulmão, eu não lembro dele quase nunca, não faço esporte mesmo, nunca ninguém da minha família morreu de câncer, não tenho diabete, colesterol, pressão alta ou o que pode me acontecer? Não ligo muito pra vida, vou vivendo e seja o que Deus quiser, todo mundo vai morrer, na hora que der minha hora, eu vou e abraço o capeta ou quem for me receber. O céu é feito de fumaça negra.



Escrito por ellen-fante às 18h28
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A Solidão No Campo de Algodão

Eu sofria imensamente por ela. Até que encontrei outra pessoa para substituí-la. Que depois, obviamente, não durou muito na minha vida. Mas daí, com o tempo, fui percebendo que eu era como uma daquelas florezinhas de algodão que, quando você assopra ou o vento é um pouco mais forte, sai voando por aí. Não dá para se prender a alguém por muito tempo, as pessoas mudam, as flores murcham, o pensamento se distrai com outra coisa e fica diferente. É como subir uma escada e contemplar a vista por outro ângulo: sempre corremos o risco de se machucar, mas igualmente corremos o risco de adorar a nova perspectiva. Eu, agora, por exemplo, gosto desse estilo um pouco cigana que criei. Não crio laços eternos, não me apego a nada que vai acabar (ou seja, tudo), e vou andando por essas ruas sem destino certo. Ainda tenho uma casa para voltar a noite, mas não perco a certeza que essa morada também é temporária.



Escrito por ellen-fante às 11h41
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