El-Ritepramim


São Vicente

O que mais me dá saudade é o ar
tem areia da praia junto
tem pó de pneu de bicicleta
tem purpurina dos quiosques gays
e tem maresia... ah!

Cheiro de maresia só perde pra cheiro de maresia com camarão frito.



Escrito por ellen-fante às 11h21
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Frases do dia - JUNHO - 2009
1. Sofri tentando dar aula, socorro!
2. Triste e chorando descontroladamente
3. Terrivelmente péssima
4. Almoço com comida de verdade 
5. "No hablemos más."
6. Lançamento de livro, pizza e depois festa na casa dos gringos
7. Joguei sinuca: ganhei denovo, virei craque!
8. Chorei novamente loucamente no msn com Sebas
9. Segundo a May, eu sofro, mas sei fazer os outros sofrerem também.
10. Última consulta no médico: Não, não tenho nada!
11. É para eu me apaixonar ou não acreditar em nada?
12. Ano que vem não faço festa de aniversário, é sempre frustrante.
13. Talvez eu esteja muito enganada em relação a tanta coisa...
14. Deprimida, desempregada, desiludida, desesperada.
15. Fiz 22 anos e daí?
16. Chorei tanto que caiu catarro no meu notebook.
17. Nada melhor que cerveja e Corinthians para eu desencanar de sofrer.
18. Queda histórica: caí com tudo na avenida Corifeu.
19. Praia, comida caseira e abraço da amiga.
20. Sebas trocou de amor, rapidinho ele, não?
21. Três dias na praia me fizeram erguer a cabeça: no more stress.
22. Quero fazer o curso de verão em Buenos Aires.
23. Fui no Lançamento da Ivana, vergonha absurda de pedir autógrafo.
24. Festa junina da FFLCH, foi bem divertido.
25. "Tudo bem, mãe, eu também não sou um exemplo de filha, estamos quites."
26. Clube da Luluzinha: risoto, brigadeiro e Grease com a May.
27. Visita do Dexter, derrota do Corinthians, Salsa na Vila Madalena com os gringos.
28. Preparando o fígado para essa semana.
29. Almoço com Dani, e a noite... quanta caipirinha!
30. O basquete virou super janta saudável com Mexicano, Alemão e Francês.



Escrito por ellen-fante às 18h15
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Eu-Nunca

Com esse jogos verbais, a calcinha lembra, o pinto sobe.
A memória e as experiências, formadoras de nossas identidades, se colocam a flor da pele, e uma só pergunta é capaz de nos fazer...
Lembranças... por causa delas é que bebemos. Copo atrás de copo, corpos sorrindo, festejando.
Cada dose é um prêmio: Eu-Já.
Ficamos sabendo o podre dos outros, perdemos o pudor e soltamos tudo.
Sobram comentários para o resto da semana. Nem ligo e sempre digo que meu livro é uma vida aberta.
Mais vodka e menos groselha. Ou então, vai cachaça mesmo. Quem fica bêbado, primeiro ganha. Pode ser também, até virar Verdade ou Streaptease.
Daí nessa parte, virei personagem. E o que eu fizer, não fui eu,
foi meu Eu-Lírico.



Escrito por ellen-fante às 18h19
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que ironia!

o veneno
que afasta as formigas do meu jardim
tambem mancha as folhas das minhas plantas.

para que tanto amor e cuidado
se eu acabo matando
tudo que toco do mesmo jeito?

melhor deixar a natureza agir
e partir para alguma habilidade
escondida num outro canto da minha casa.



Escrito por ellen-fante às 15h21
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Tombo

O mais legal da queda
não é levantar
é tirar a casquinha do machucado
antes de sarar.



Escrito por ellen-fante às 10h38
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Tempos Modernos:

pensão do pai, esperando o filho...
esqueçam o espírito, bebida pro santo
e partam logo para o Amem!



Escrito por ellen-fante às 12h48
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Relação Bancária

Professor que não se envolve é igual ginecologista que não pede para tirar a roupa:
fica tudo tão superficial que eu prefiro sacar dúvidas com o google.



Escrito por ellen-fante às 00h11
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Atriz desempregada
desintegro, desamparo.
Vômito.

Acho que sou feita de traumas.
De assuntos mal resolvidos, deixados para trás.
lembranças interrompidas.
Medo de escuro, de espírito, de grande parte dos vivos, da fé, da existência de Deus, do destino, cachorros, falta de dinheiro, desamparo da família, ausência demais e presença demais. Medo de me apegar, de não sobreviver, de ter coragem para me matar, de terapia.
Sou feita de lágrimas e talvez eu morra em um abraço.
Quando quero evitar alguma coisa, choro. Ou então, rio demais.
Eu rio de soluçar até. De cair na gargalhada. Alguns já sabem que, por dentro, tudo virou água.
Evito temas difíceis. Fujo de cruz, de alho, pimenta. E qualquer pó branco.
Sim, quebraram feio meu coração. Faz tanto tempo.
Não sei se alguma coisa ainda bate aqui dentro ou se vivo em estado de coma desde os seis meses de vida. Dentro da barriga da minha mãe.
A vida pode não ser tão complicada fisicamente, tenho casa, comida, roupa lavada e vaga na melhor universidade.
Amigos. Ah... quantos amigos. Sinto dor o tempo todo. ou talvez, não sinta nunca.
Uma coisa mole e cinzenta, feito cérebro ou lama molhada.
Nessas, eu bebo pra caralho. e danço Danço tanto... Danço e rio e bebo e volto pra casa e durmo de babar no lençol e acordo, tomo banho, vou pra aula e começa tudo de novo. Finjo e improviso o tempo todo.

Confundir é preciso, precioso.



Escrito por ellen-fante às 21h31
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Fase boa tem que ser a da vida

porque depois não precisa mais.



Escrito por ellen-fante às 16h05
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Conexões
Cogumelos negros brotavam na cidade quando me surgiu a idéia. Daria tempo? Eu estava a quatro estações de metrô, a aproximadamente doze minutos do meu destino. A consulta médica foi mais rápida do que eu esperava e meu plano vago da manhã poderia tornar-se concreto caso desse tempo. Tempo... Esqueci a janela aberta e a toalha secando no parapeito. Com a chuva, tudo ficaria encharcado. Não desisti. Com malemolência na fila e agilidade nas pernas, passei uns e outros e desembarquei na Paulista. Bandos de engravatados e adolescentes pálidas com franjas escuras também andavam de pressa, mas a linha de chegada era outra. Eu estava indo ao cinema.
Confesso que nunca fui fã de Chico Buarque. Já ouvi alguns de seus discos, concordo que suas feições eram bonitas quando jovem, mas Sinatra sempre me chamou mais atenção que o moço brasileiro de também olhos azuis. Nunca o li, apesar de já vender alguns exemplares seus na antiga livraria em que trabalhava. Suas canções, apesar de falar de amor tão lindamente, nunca as cantei no chuveiro, nem no videokê. Porém, confesso que ao saber do filme baseado em seu primeiro livro, Budapeste, fiquei curiosa. Alguma coisa na história de um escritor fantasma numa terra desconhecida captava o meu interesse. Eu precisava saber o que era.
E o que é o cinema? Um quadrado preto com uma parede branca, poltronas stadium e carpete aveludado.  As pessoas chegam e se aparalelam. Amantes, solitários, cinéfilos, desgostosos: estranhos que compartilham duas horas de sua tarde por apenas dois e cinquenta. Não sei o que ocasiona o sentimento de anestesia, mas o cinema é capaz de me deixar dormente sem injeção ou morfina. Um lugar mágico que promove lágrimas, solta até mesmo os risos mais tímidos e liberta pensamentos. Esquecemos a luta pela terra, os crimes cometidos, arrependimentos e o último cigarro que sobra no bolso. O cinema se sustenta e nos sustenta, como um grande prato de comida ou uma antiga ponte pênsil. Doamos nossas almas aos personagens, fazemos parte do cenário, enxergamos nossas vidas através da câmera e do script anunciado. Quantas vezes já nos pegamos pensando: Eu sou assim? Ou Nossa, eu faço isso o tempo todo. Não lembrei mais do mundo, do horário de pico, da toalha na janela.
Assisti. Saí em paz. Muito lentamente voltei à terra cinza e caótica de São Paulo. Budapeste de Chico torna-se um pouco minha e de tantos outros expectadores. Escrever um livro, viajar, ter um filho, beber por aí... o filme me deixou com vontade de agir feito o mocinho que vive feliz pra sempre. E por que não? Eu posso mudar minha história ou improvisar no sétimo capítulo. O papel e a caneta me dão liberdade pra isso. Vai saber a cidade que meu avião vai pousar por acidente.



Escrito por ellen-fante às 18h32
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Fim

Todo açúcar um dia dissolve, derrete ou vira caramelo.



Escrito por ellen-fante às 15h14
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Como a vida pode se revelar destruidora de sonhos

Sempre quis escrever e estudar literatura. Já pensei em ser jornalista também e escrever reportagens político-sociais, mas o mundo foi se mostrando tão sufocante que eu perdi a vontade de seguir este caminho. Se eu falasse mal da política de um governador era capaz de morrer por isso, já se vê em discussões familiares, quando eu defendo um político que toda a família se vê contra, eles quase me esgoelam antes mesmo da sobremesa, imagina só tecer um comentário em frente toda uma nação, ou, que seja, um estado somente: suicídio provocado por um banquinho de repente derrubado por forças sobrenaturais. Que coisa, não?
Voltando ao assunto, eu sempre quis escrever e estudar literatura. Desde os cinco anos eu leio e faço meus rabiscos. Com onze anos, imprimi cinco cópias de uma revistinha que escrevi sobre um gato e uma banana falante que eram irmãos e detetives particulares. Entreguei aos parentes próximos e com o sucesso garantido, fiz até a segunda edição da revista, mas por falta de tinta na impressora, ficou só no lápis mesmo. Até hoje eu tenho guardado. Lá pelos meus catorze, quinze anos, já escrevia compulsivamente. Tenho uma porção de histórias e contos, uns tantos inacabados, e outros poucos que só faltou a ilustração.
Para seguir com o sonho (utópico, será?) de continuar escrevendo, a disciplina que eu mais me dedicava no colégio era o português: gramática, redação e literatura. Também prestava atenção em filosofia e história, porque para escrever, é preciso entender um pouco do que já pensaram e fizeram no mundo. Fiz cursinho e entrei na USP. Letras, obviamente. Com planos de fazer mestrado em literatura contemporânea e quiçá, um doutorado... pensemos alto.
Daí você percebe que mais 849 pessoas, só na USP, têm o mesmo sonho que você, e aquela sua chance de ser a escritora de sucesso fica um pouco mais concorrida. Tudo bem que tem gente ali que não quer virar escritor. Mas escreve. Pode até querer fazer traduções, ser revisor, editor de revista de moda, professor, contador de histórias em biblioteca. Mas depois de dois, três anos, você percebe que todo mundo mantêm um blog, ou um diário ou que seja, umas folhinhas no final do caderno. Além, é claro, das outras pessoas que você acaba conhecendo que faz matemática, engenharia, administração e olha só, que coincidência, eles também escrevem. O medo passa a tomar mais tempo na sua companhia... aquilo que você achou que era um dom especial na infância passou a ser tão comum, que você começa a se interessar por outras coisas, ou escrever menos, pra ver se se destaca em alguma outra habilidade menos badalada.
Aí fuçando pela internet, você acha a frase: “Aos 20 anos, todo mundo escreve poesia. Aos 60, só os poetas.” Socorro, as coisas começam a ficar mais impossíveis. Se só vou ser reconhecida poeta aos sessenta, preciso arranjar um trampo para viver e pagar as contas até chegar lá. Ok, vamos aos classificados. Vaga para professor exige experiência. Vaga de redator exige experiência. Vaga de corretor exige experiência. Vaga de vendedor em loja: não é necessário comprovar experiência. Apenas passar nos testes de conhecimentos gerais, três entrevistas e mais três meses de experiência. Trabalho de segunda a segunda, oito horas por dia, com quatro folgas no mês. Nessas folgas você precisa visitar os pais, descansar, fazer todos os trabalhos da faculdade, garantir as boas notas para o mestrado, e claro, fazer poesia. Porque você só vai ser capaz de ser, talvez, reconhecido como poeta aos sessenta anos se você fizer poesia até lá. Certo?
Certo, a vida me convenceu. Eu desisto. Sério, poeta de verdade é aquele que tem tempo e dinheiro para ser. Se o mundo não me apresentar uma solução em menos de uma semana, eu chuto o balde e abandono a poesia para quem pode. Haverão outros “lutadores” mais insistentes que eu, eu espero.



Escrito por ellen-fante às 16h08
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entrevista comigo:


http://obasculante.wordpress.com/2008/12/02/conhecendo-ellen-maria/



Escrito por ellen-fante às 18h54
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Entre quatro paredes, Júlio se manifestava. Esculpia-se de várias formas.
Lia sobre a vida de Einstein. Lia sobre a psiqué do gênio e a estupidez humana.
Dançava na webcam. Conhecia novas pessoas em chats virtuais.
Comia biscoito com iogurte. Cortava as unhas em cima da cama.
Cantava bem baixinho música brega. Dançava loucamente qualquer canção em inglês.
Fazia performances. Nus artísticos. Fotos com extintores. Grafites na parede.
Sexo com muitas meninas. Punheta com a mão errada. Ou a certa invertida.
Chorava de saudades. Rasgava velhas cartas. Reescrevia-as como as lembrava.
Vestia a cueca por cima da calça. Amarrava o lençol no pescoço.
Simulava romances fantásticos. Peças de teatro pornô-dramáticas.
Fugia com abdominais. Suava boxe estilo livre.
Imaginava suícidios históricos. Rezava de joelhos.
Alonga. Medita. Flutua. Respira...
Júlio é o menino mais interessante que eu já conheci.
 



Escrito por ellen-fante às 02h46
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Camadas

Queria tê-la visto mais nua.
E mais sem roupa.



Escrito por ellen-fante às 01h23
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